terça-feira, 21 de agosto de 2012

Assim você mata o papai

Por fim, uma música do gosto popular. Assim você mata o papai é uma música cantada em pagode, que retrata também o sentimento do homem moderno, embora caia mesmo no gosto das classes mais baixas.

Nela, a mulher não é nada inalcançável, ela é pelo contrário, sedutora, como diz o cantor. Porém, ela continua maravilhosa, como era a mulher idealiza desde o Romantismo clássico do séc XIX.

Assim Você Mata o Papai

Sorriso Maroto

Ai, ai! Ai ai ai ai!

Essa mina tá me olhando
Acho que tá dando mole
Ela tá me provocando já faz tempo
Isso não vai prestar
Não vai

Ela é maravilhosa , tem um sorriso maroto
O que será que ela tá querendo?
Vou chamar pra dançar,

Vem cá mulher,
Vem cá, vem dançar
Comigo agarradinho, vem cá que você vai gostar!

Ah, vai! Isso, assim, vem pra mim
Que delicia, tá gostoso demais
Isso não vai prestar
Beija minha boca

Ai, ai! Ai ai ai ai! Assim você mata o papai
Ai, ai! Ai ai! Que boca gostosa eu quero mais
Ai, ai! Ai ai ai ai! Assim você mata o papai
Ai, ai! Ai ai! Você tá cheirosa demais


Garota de Ipanema

Essa é outra canção que mostra a idealização da mulher, por parte de Tom Jobim. Essa é uma canção um pouco mais antiga, do séc XX, e que mostra um meio termo entre o poema de Alvares de Azevedo e a música de Seu Jorge : Ela não fala de traição, mas também não idealiza uma senhora do séc XIX, ela idealiza uma moça do corpo dourado, que anda de bikini no calçadão.

Garota De Ipanema

Tom Jobim

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

Amiga da Minha Mulher

Essa música retrata bem o sentimento do homem moderno, como ele idealiza a mulher. Nela, Seu Jorge fala de uma mulher que é claramente interessada nele, e que é amiga da mulher dele. Ele fala do tema da traição, elogiando a mulher, e sem se importar muito com o que é certo ou errado, sendo o "seu" certo, namorar uma mulher bonita, não importem as circunstâncias.

É essa a visão do homem moderno, ele idealiza uma mulher bonita, capa das revistas, como a mulher perfeita, ideal. Mas é claro que, ele também leva em consideração fatores como inteligência, cultura, classe social, mas, todos esses em menor escala.

Amiga da Minha Mulher

Seu Jorge

Ela é amiga da minha mulher.
Pois é, pois é..
Mas vive dando em cima de mim.
Enfim, enfim..
Ainda por cima é uma tremenda gata, pra piorar minha situação.
Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.
Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.
[refrão]
Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..
Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..
Minha mulher me perguntou até: qual é, qual é?
Eu respondi que não tô nem aí.
Menti, menti..
De vez em quando eu fico admirando, é muita areia pro meu caminhão.
Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.
Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.
[refrão]
Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..
Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..
O meu cunhado já me avisou, que se eu der mole ele vai me entregar.
A minha sogra me orientou, isso não tá certo é melhor parar.
Falei, ela não quis ouvir. pedi, ela não respeitou.
Eu juro! a carne é fraca mas nunca rolou.(2x)
[repete tudo]
[refrão]
Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..
Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não.. (4x)


Romantismo no século XXI

  Atualmente tem-se uma nova vertente do Romantismo, o Romantismo do séc XXI. Ele não se dá de forma completa, pois não vemos tanto uma valorização da pátria nos textos de hoje, nem muito da natureza, porém, é comum termos muitas músicas e poemas idealizando a mulher contemporânea, não da mesma forma como era feita no Romantismo, mas de uma maneira diferente, de acordo com a mentalidade do homem contemporâneo e o cotidiano que o cerca. A sociedade do Séc XXI é muito diferente, e dispõe de muito mais recursos que a sociedade do Séc XIX.

 - Crônica de uma Psicóloga sobre o Romantismo dos dias de hoje

A nova era tecnológica trouxe consigo algumas mudanças radicais no comportamento das pessoas, especialmente no que tange aos relacionamentos. Há alguns anos atrás, comunicar-se com um amigo levava dias, hoje basta um clique.
Temos ainda a chance de escolher os amigos, como quem escolhe roupas numa vitrine: teclamos com pessoas que têm, mais ou menos, o mesmo nível intelectual que nós.

Apesar de tantos avanços tecnológicos, ainda existem pessoas que insistem em viver presas romantismo medieval; vivem em função do outro, para o outro, pelo o outro, respiram o outro, temem o outro, e se deixam escravizar pelo outro, jogando no outro a responsabilidade pela sua felicidade, como se fosse possível tal transferência.

Chamamos isso de fuga esquiva: quando o sujeito foge de uma situação aversiva para encontrar conforto em outra situação.

Explico:

Algumas pessoas não se sentem plenas e não conseguem buscar satisfação pessoal em nada por diversos fatores [falarei sobre eles em outra oportunidade. Por hora ater-me-ei às consequências dos fatores]; soma-se a isso a influência da mídia impressa, cinematográfica e televisiva, onde o mito do amor romântico ainda impera, [o casal bonzinho sempre acaba junto no final como se um fosse o troféu do outro por bom comportamento] e temos aqui o resultado final: pessoas absurdamente carentes, dependentes, não só do afeto do outro, mas do outro em si.

Existe uma grande diferença entre emoções e sentimento elaborado:

As emoções são momentos de felicidade que sentimentos quando algo ocorre e nos toca de alguma forma, mas são geralmente passageiras.

O sentimento elaborado é pleno; não carece de emoções para se firmar. Ele é sacramentado e aconteça o que acontecer, estará de pé, firme e forte. As pessoas que possuem esse sentimento não têm necessidade de se complementarem no outro, porque a satisfação do relacionamento está dentro dela, e não na pessoa do outro. Tais pessoas vivem, estudam, trabalham, progridem na vida pessoal, independente do que ocorre na vida afetiva.

Em contrapartida, existem pessoas perdidas, em busca de emoções-a-todo-custo e satisfação imedita. Poucos têm noção do que seja um sentimento elaborado, pois as emoções, produzem efeito mais rápido, embora não sejam eficientes no trato da solidão.

Justamente por medo de sentirem-se solitárias e abandonadas, algumas pessoas buscam no outro essa plenitude. São pessoas que só conseguem ser felizes se tiverem alguém que lhes complete, poruqe não conseguiram tal satisfação de outra forma. Daí o sentimento de dependência.

Note que não estou me referindo a todos os casos, e sim, aos casos onde existe uma dependência patológica em relação ao outro. Quando se ama, é natural querer ficar juntinho. O que deixa de ser natural é esquecer r a sua vida para viver em função do outro.

Só pra finalizar, o romantismo Shakesperiano é algo que com a revolução tecnológica tende a cair em desuso, pois hoje é possível que as pessoas se sintam próximas umas das outras, mesmo que estejam em hemisférios diferentes. Dá pra amar e viver ao mesmo tempo!!

Sonhando


Na praia deserta que a lua branqueia
Que mimo! Que rosa, que filha de Deus!
Tão pálida - ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

A praia é tão longe! E a onda bravia
As roupas de goza te molha de escuma
De noite - aos serenos - a areia é tão fria,
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia!
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor;
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração?
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!

Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
Ó pálida fria,
Tem pena de mim!

Dormia: — na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
Ó pálida fria,
Tem pena de mim!

Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!

E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!

E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!

Álvares de Azevedo

Marabá


Marabá


Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— "Tu és", me responde,
"Tu és Marabá!"


— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!


Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
"Teus olhos são garços",
Responde anojado, "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
"Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"


— É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
— Da cor das areias batidas do mar;
— As aves mais brancas, as conchas mais puras
— Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.


Se ainda me escuta meus agros delírios:
— "És alva de lírios",
Sorrindo responde, "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
"Um rosto crestado
"Do sol do deserto, não flor de cajá."


— Meu colo de leve se encurva engraçado,
— Como hástea pendente do cáctus em flor;
— Mimosa, indolente, resvalo no prado,
— Como um soluçado suspiro de amor! —


"Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira",
Então me respondem; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
"Que as flóreas campinas governa, onde está."


— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!


Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
"São loiros, são belos,
"Mas são anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
"Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá,"




E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem 
Jamais cingirei:


Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha, 
Que sou Marabá!

Gonçalves Dias

Pálida Imagem


No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!

O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!

Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!

Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh’alma perdia.

Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças, 
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!

Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve...... 
Treme... como tremia.

Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!

Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!

Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos 
Orvalhei... só por ti!


  Álvares de Azevedo


Pálida Imagem é um poema que representa bem o pensamento, a emoção que o romântico tinha em relação à mulher idealizada. Deve-se notar que, na lógica romântica, a mulher não é mais inalcansável como no Trovadorismo, onde os cavalheiros morriam de amores por suas amadas em seus poemas.

Romantismo no Brasil


Logo após a independência política do Brasil (1822), nasce o Romantismo brasileiro. Os escritores Araújo Porto Alegre, Sales Torres Homem, Pereira da Silva e Domingos José Gonçalves de Magalhães resolveram escrever uma revista com temas de interesse nacional. Nesse momento nasce a Niterói, Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, que trazia a epígrafe: “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”.


O Romantismo assumiu em nossa literatura um significado secundário, de um movimento anticolonialista e antilusitano, de rejeição à literatura produzida na época colonial, aos modelos culturais portugueses. Por isso, a primeira geração romântica tinha a preocupação de garantir uma identidade nacional que nos separasse de Portugal, buscando no passado histórico elementos de origem nacional.

São apontadas três gerações de escritores românticos:

- Primeira geração: nacionalista, indianista e religiosa. Os poetas que se destacam são: Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.

- Segunda geração: é um período marcado pelo mal do século, apresenta egocentrismo irritado, pessimismo, satanismo e atração pela morte. Os poetas que se destacam são: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.

- Terceira geração: esse período desenvolve uma poesia com caráter político e social, é formada pelo grupo condoreiro. O maior representante dessa fase é Castro Alves.


Primeira geração

Os primeiros românticos são conhecidos como nativistas, pois seus romances retratam índios vivendo livremente na natureza, numa representação idealizada. O índio é transformado no símbolo do homem livre e incorruptível.
Nosso Romantismo apresenta como traço essencial o nacionalismo, destacando o indianismo, o regionalismo, a pesquisa histórica, folclórica e linguística, e a crítica aos problemas nacionais.

Segunda geração

O tema que fascinou os escritores da segunda geração romântica brasileira foi a morte. Nas obras dos escritores desse período está presente uma visão negativa do mundo e da sociedade, onde expressam seu pessimismo e sentimento de inadequação à realidade, pois viviam uma vida desregrada, dividida entre os estudos acadêmicos, o ócio, os casos amorosos e a leitura de obras literárias, como as de Musset e Byron.
A segunda geração, também conhecida como ultrarromantismo, encontra no Brasil discípulos fervorosos, que diante do amor apresentam uma visão dualista, envolvendo atração e medo, desejo e culpa. Em seus poemas, a imagem de perfeição feminina apresenta os traços de morte, condenando implicitamente qualquer forma de manifestação física do amor.

Terceira geração

A terceira geração é também conhecida como “O condoreirismo”, os poetas dessa geração apresentam estilo grandioso ao tratarem de temas sociais, eram comprometidos com a causa abolicionista e republicana desenvolvendo, assim, a poesia social.
Castro Alves é o poeta que mais se destaca. Inspirado nos princípios de Victor Hugo, ele começa a escrever poemas sobre a escravidão. Há, retratado em seus poemas, o lado feio e esquecido pelos primeiros românticos: a escravidão dos negros, a opressão e a ignorância do povo brasileiro.
Castro Alves ficou conhecido como “o poeta dos escravos”.

Curiosidades:


Curiosidade 1: cronologicamente o 1º romance brasileiro foi "O filho do pescador" (1843), de autoria de Teixeira e Sousa, porém sua trama confusa não define as linhas que o romance romântico seguiria no Brasil. Por isso, convencionou-se adotar o romance "A Moreninha" (1844), de Joaquim Manuel de Macedo, como 1º romance brasileiro. Como autores importantes ainda podem ser citados Manuel Antônio de Almeida, José de Alencar , Visconde de Taunay e Bernardo Guimarães.

Curiosidade 2 : é no Romantismo que se define o teatro nacional, em virtude da vinda da família real para o Brasil (1808). Gonçalves de Magalhães, com Antônio José ou o poeta e a inquisição (1838), seu iniciador; e Martins Pena, com suas comédias de costumes, ao lado do importante papel desempenhado pelo ator João Caetano, foram responsáveis por sua consolidação.